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Depressão pode afetar a formação de novos neurônios, aponta pesquisa

Pesquisa com tecido cerebral humano identificou alterações no processo de neurogênese no hipocampo de pessoas com transtorno depressivo maior. Cientistas afirmam que os resultados ajudam a compreender melhor a doença, mas ainda não demonstram uma relação de causa e efeito.

Uma pesquisa divulgada pelo National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos em 15 de setembro de 2026 trouxe novas evidências sobre a relação entre depressão e o funcionamento do cérebro. O trabalho identificou alterações na formação de novos neurônios no hipocampo, região envolvida em processos de aprendizagem e memória.

O estudo original foi publicado na revista científica Nature Medicine em 21 de agosto e investigou a neurogênese adulta, processo pelo qual novas células nervosas são formadas no cérebro. Segundo o NIH, evidências acumuladas indicam que o hipocampo está entre as regiões capazes de produzir novos neurônios ao longo da vida.

O que os pesquisadores encontraram?

A equipe, liderada pela pesquisadora Maura Dupont, da Columbia University, analisou tecidos do hipocampo de 30 doadores falecidos: 19 sem depressão e 11 que tinham o transtorno. Nenhum dos participantes com depressão havia utilizado medicamentos antidepressivos nos três meses anteriores à morte, fator considerado pelos pesquisadores para reduzir a possibilidade de que os medicamentos explicassem as diferenças observadas.

Ao todo, aproximadamente 500 mil células do hipocampo foram examinadas. Os cientistas encontraram, nos tecidos de pessoas com depressão, maior presença de células-tronco neurais e menor quantidade de células em um estágio intermediário de desenvolvimento até se tornarem neurônios maduros.

Os resultados sugerem que, no transtorno depressivo maior, o processo de formação de novos neurônios pode ficar prejudicado justamente durante essa transição. Apesar disso, o número total de neurônios foi semelhante entre os dois grupos estudados.

Alterações também apareceram nos genes

A pesquisa identificou diferenças na atividade de genes relacionados ao sistema imunológico e à resposta celular ao estresse. Algumas alterações também envolveram mecanismos relacionados à comunicação entre neurônios e à capacidade do cérebro de estabelecer novas conexões.

Essa capacidade de reorganização, conhecida como plasticidade cerebral, é importante para processos como aprendizagem e formação de memórias.

Os pesquisadores apontam que as descobertas podem ajudar a construir uma compreensão mais detalhada das características celulares e moleculares associadas à depressão e, futuramente, contribuir para a investigação de novas estratégias terapêuticas.

Resultado exige cautela

O estudo não significa que a depressão simplesmente “impede o cérebro de produzir neurônios”. Os próprios pesquisadores ressaltam que mais estudos são necessários para determinar se as alterações na neurogênese têm relação causal com a depressão.

Além disso, a pesquisa foi realizada com uma amostra relativamente pequena e analisou tecido cerebral após a morte, características importantes para a interpretação dos resultados.

Psicologia e Biomedicina

A descoberta também mostra como diferentes áreas do conhecimento podem contribuir para a compreensão da saúde mental. Enquanto a Psicologia estuda aspectos emocionais, comportamentais e cognitivos relacionados à depressão e atua em sua avaliação e tratamento dentro de suas competências, áreas biomédicas investigam os mecanismos celulares e moleculares associados ao funcionamento cerebral.

Pesquisas desse tipo ajudam a aproximar neurociência, saúde mental e biologia, mostrando a complexidade do transtorno depressivo e a importância de abordagens científicas multidisciplinares.

Fonte principal: National Institutes of Health (NIH), NIH Research Matters, 15 de setembro de 2026.
Acesse a publicação do NIH

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