Tecnologia desenvolvida na Universidade Federal do Ceará transforma situações de risco dentro de casa em uma experiência virtual educativa e recebeu o Prêmio Capes de Tese 2026 na área de Enfermagem.
A realidade virtual, conhecida principalmente por aplicações em entretenimento, também vem conquistando espaço na área da saúde. Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Ceará (UFC) resultou na criação do PrevineQuedas, um jogo educativo de realidade virtual voltado à prevenção de quedas de pessoas idosas dentro de casa.
O projeto nasceu da tese de doutorado de Jamylle Lucas Diniz, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFC. O trabalho foi reconhecido com o Prêmio Capes de Tese 2026, na área de avaliação Enfermagem, premiação que reconhece trabalhos de destaque produzidos nos programas de doutorado brasileiros.
Como funciona o PrevineQuedas?
A proposta coloca a pessoa idosa em uma experiência virtual que reproduz situações encontradas no ambiente doméstico. O jogo apresenta dois cenários com objetos que representam riscos de queda e outros dois com elementos relacionados à prevenção.
Para utilizar a ferramenta são necessários um smartphone Android, óculos de realidade virtual, o aplicativo e uma cadeira giratória. O participante tem até dois minutos para identificar os objetos presentes no cenário e interage com o ambiente por meio de movimentos da cabeça e dos olhos.
Conforme os elementos são identificados, as cores ajudam na compreensão: situações de perigo aparecem destacadas em vermelho, enquanto medidas relacionadas à segurança são apresentadas em verde. O uso é mediado por profissionais de saúde.
Prevenção é um desafio importante para a saúde
O desenvolvimento de tecnologias nessa área ganha relevância diante do impacto das quedas na população idosa. Segundo o Ministério da Saúde, estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 28% das pessoas idosas sofrem pelo menos uma queda por ano. Considerando a população brasileira, isso representaria aproximadamente 9 milhões de quedas anualmente.
Além de fraturas e outros traumatismos, uma queda pode gerar medo de novos acidentes, redução da mobilidade, perda de autonomia e maior dependência de cuidados. O Ministério ressalta que as quedas não devem ser encaradas simplesmente como uma consequência normal do envelhecimento.
Saúde e tecnologia trabalhando juntas
Um dos destaques da pesquisa é justamente seu caráter multidisciplinar. Em etapas do desenvolvimento da gerontecnologia que deu origem à proposta, participaram especialistas de diferentes áreas, incluindo enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e profissional de educação física.
A iniciativa ajuda a mostrar como conhecimentos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, associados à tecnologia, podem contribuir para discussões sobre funcionalidade, segurança, autonomia e adaptação das atividades e dos ambientes. Já áreas como Sistemas de Informação encontram nesse cenário oportunidades para desenvolver ferramentas digitais voltadas à saúde e ao envelhecimento.
Mais do que utilizar realidade virtual por inovação, o PrevineQuedas demonstra como a tecnologia pode ser pensada como ferramenta educativa e preventiva, aproximando pesquisa acadêmica de problemas presentes no cotidiano da população.
Fontes: Universidade Federal do Ceará – pesquisa e Prêmio Capes de Tese 2026 | Ministério da Saúde – Saúde da Pessoa Idosa e prevenção de quedas




