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Dependência em apostas on-line: por que a Psicologia é fundamental na prevenção e no tratamento

O avanço das plataformas de apostas esportivas e jogos on-line, popularmente conhecidas como bets, levou o Ministério da Saúde a lançar a Campanha Nacional de Prevenção aos Danos das Apostas Online, com foco na conscientização da população sobre os riscos do uso problemático dessas plataformas e na divulgação dos serviços de atendimento em saúde mental oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A campanha está sendo veiculada na televisão, no rádio e nas redes sociais.

Embora muitas pessoas utilizem as apostas como forma de entretenimento, especialistas alertam que a facilidade de acesso, disponível 24 horas por dia por meio de celulares e computadores, aliada a recursos como notificações, bônus, apostas em tempo real e recompensas variáveis, pode favorecer o desenvolvimento de um comportamento compulsivo. Entre os principais impactos estão o comprometimento da saúde mental, dificuldades financeiras, prejuízos nas relações familiares e sociais, além da queda no desempenho profissional e acadêmico.

Na perspectiva da Psicologia, o problema vai além da perda financeira. O Transtorno do Jogo, reconhecido pela Classificação Internacional de Doenças (CID) e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), caracteriza-se pela dificuldade persistente de controlar o impulso de apostar, mesmo diante de consequências negativas. Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,2% da população adulta mundial apresenta esse transtorno. A condição pode estar associada a sintomas de ansiedade, depressão, culpa, isolamento social e alterações significativas no comportamento.

Entre os sinais de alerta estão o aumento do tempo e do dinheiro destinados às apostas, a preocupação constante com jogos, a tentativa repetida de recuperar perdas financeiras, mudanças de humor, alterações no sono e conflitos familiares. O Ministério da Saúde destaca que esses comportamentos merecem atenção e reforça que tanto os apostadores quanto seus familiares podem buscar ajuda especializada.

Para ampliar o acesso ao cuidado psicológico, o SUS passou a oferecer teleatendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados às apostas e seus familiares. O serviço pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital, onde o usuário realiza um autoteste para avaliar sua relação com as apostas. Quando identificado risco moderado ou elevado, o encaminhamento para atendimento especializado ocorre de forma automática. Nos demais casos, o sistema orienta sobre os serviços presenciais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O acolhimento também pode começar nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com possibilidade de encaminhamento aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), quando necessário.

Outra medida anunciada é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, desenvolvida pelo Ministério da Fazenda. A ferramenta permite que o cidadão solicite voluntariamente o bloqueio de acesso às plataformas de apostas autorizadas, impedindo a abertura de novas contas e interrompendo o recebimento de publicidade direcionada. Além disso, a plataforma reúne conteúdos educativos sobre saúde mental, jogo responsável e educação financeira.

Para profissionais e estudantes de Psicologia, a iniciativa reforça a importância da identificação precoce dos comportamentos de risco, do acolhimento qualificado e da atuação multiprofissional no enfrentamento da ludopatia. O crescimento das apostas digitais evidencia um novo desafio para a saúde pública brasileira, exigindo ações integradas de prevenção, orientação e cuidado voltadas não apenas aos indivíduos afetados, mas também às suas famílias e à sociedade como um todo.

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