Estudo clínico autorizado pela Anvisa entra em nova etapa com apoio do SAMU 192. Pesquisa avaliará inicialmente a segurança da substância experimental em cinco voluntários com lesões medulares específicas.
Uma pesquisa brasileira está avançando na investigação de uma possível nova abordagem para pessoas que sofreram lesões agudas da medula espinhal. O Ministério da Saúde anunciou, em 18 de setembro, a mobilização do SAMU 192 da cidade de São Paulo para apoiar a identificação e o encaminhamento de pacientes que possam participar de um estudo clínico com a polilaminina.
A estratégia prevê treinamento específico das equipes e adaptação do protocolo de atendimento. Os profissionais deverão identificar rapidamente pacientes que se enquadrem nos critérios da pesquisa e encaminhá-los ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Os ensaios desta etapa têm início previsto para 24 de setembro de 2026.
O que é a polilaminina?
A polilaminina é derivada da laminina, uma proteína presente naturalmente no organismo e relacionada à estrutura celular e a processos envolvendo o tecido nervoso. Estudos pré-clínicos realizados em laboratório e em modelos animais indicaram potencial relacionado à regeneração neural, mas isso ainda não significa que o tratamento tenha eficácia comprovada em seres humanos.
Na formulação que será estudada, a laminina é obtida de placenta humana e preparada como laminina polimerizada para administração diretamente na região da medula lesionada. A própria Anvisa ressalta que o mecanismo de ação da polilaminina no trauma medular ainda não está totalmente esclarecido.
Cinco pacientes participarão desta fase
O ensaio clínico de fase 1 foi autorizado pela Anvisa em janeiro de 2026. Nesta etapa, o objetivo principal é avaliar a segurança da polilaminina e não comprovar que o medicamento recupera os movimentos ou cura lesões medulares.
A previsão é incluir cinco voluntários, com idade entre 18 e 72 anos, que apresentem lesões agudas completas da medula espinhal na região torácica, entre as vértebras T2 e T10, ocorridas há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica. Depois da aplicação, os participantes serão acompanhados durante seis meses.
O curto intervalo entre a ocorrência do trauma e a possível participação explica a importância do SAMU no projeto. Como serviço de atendimento pré-hospitalar, as equipes poderão contribuir para reconhecer rapidamente casos que correspondam aos critérios definidos pelos pesquisadores.
Pesquisa brasileira
Os estudos são conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália. O Ministério da Saúde também informa ter destinado recursos à pesquisa básica que antecedeu a etapa de aplicação em seres humanos.
Se os resultados da fase 1 forem satisfatórios quanto à segurança, a pesquisa poderá avançar para as fases 2 e 3, nas quais a eficácia deverá ser investigada de forma mais ampla. Somente depois dessas etapas poderá ser solicitado o registro comercial do medicamento.
Ainda não é um tratamento disponível
Apesar da expectativa em torno da pesquisa, a polilaminina permanece experimental. Ela não possui registro sanitário para uso terapêutico rotineiro e sua aplicação está restrita ao contexto de pesquisa autorizado. O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional também ressalta que, até o momento, não existe comprovação científica de cura ou reversão completa da lesão medular com a substância.
Essa cautela é importante porque a fase 1 envolve poucos participantes e foi desenhada principalmente para avaliar segurança. Somente estudos posteriores, maiores e controlados poderão esclarecer o real benefício clínico da terapia.
Fisioterapia e Terapia Ocupacional
O avanço das pesquisas sobre lesão medular também chama atenção para a importância da assistência multidisciplinar. Fisioterapia e Terapia Ocupacional estão entre as áreas diretamente relacionadas à reabilitação de pessoas com alterações neurológicas, trabalhando aspectos como funcionalidade, autonomia e participação nas atividades cotidianas.
A pesquisa ainda dialoga com áreas como Enfermagem e Biomedicina, mostrando como ciência básica, pesquisa clínica, atendimento de urgência e reabilitação podem se conectar no desenvolvimento e na avaliação de novas tecnologias em saúde.
Para você que leu a matéria e quer se aprofundar ainda mais no assunto:
Fonte principal: Ministério da Saúde, 18 de setembro de 2026.
Leia a publicação oficial do Ministério da Saúde
Fonte complementar: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).





