No Dia Nacional de Combate ao Fumo, campanha chama atenção para os impactos do cigarro e convida a população a compartilhar experiências que poderão contribuir para novas ações de saúde pública.
O Brasil registrou um sinal de alerta no combate ao tabagismo. Depois de quase duas décadas de redução, a proporção de adultos fumantes voltou a crescer: passou de 9,2% em 2023 para 11,7% em 2024, segundo dados do Vigitel divulgados pelo Ministério da Saúde.
O que o cigarro não mostra
A proposta é conhecer consequências que vão além das doenças normalmente associadas ao cigarro. Mudanças na rotina, qualidade de vida, relações familiares e sociais e dificuldades enfrentadas por quem tenta abandonar o consumo também fazem parte da discussão.
Segundo o Ministério da Saúde, as experiências compartilhadas poderão ajudar na elaboração de novas imagens e mensagens para embalagens de cigarros, além de contribuir para o aprimoramento das políticas públicas de controle do tabaco.
A campanha também contempla relatos relacionados a outros produtos, como cigarro de palha, vape, narguilé, charuto e cachimbo, entre outros.
Jovens também estão no centro da preocupação
Outro dado chama atenção: entre os brasileiros de 18 a 24 anos, a frequência de adultos que fumam ou utilizam dispositivos eletrônicos para fumar passou de 7,4% em 2019 para 10,1% em 2024, alcançando o maior índice da série histórica para essa faixa etária.
O avanço dos dispositivos eletrônicos, especialmente entre jovens, representa um desafio adicional para as políticas de prevenção.
Mais brasileiros procuram ajuda para parar de fumar
Ao mesmo tempo em que o número de fumantes voltou a crescer, aumentou a procura por tratamento. Em 2025, 2,1 milhões de pessoas foram atendidas pelo SUS para parar de fumar. Em 2022, eram 1 milhão e, em 2015, 351 mil.
O tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS e pode incluir acompanhamento individual ou em grupo, orientações para enfrentar a dependência e, quando indicado pelos profissionais de saúde, medicamentos. A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a porta de entrada para quem deseja buscar atendimento.
Um problema que envolve diferentes áreas da saúde
O tabagismo é considerado uma doença crônica causada pela dependência da nicotina e está associado a mais de 50 doenças, incluindo diferentes tipos de câncer, problemas cardiovasculares e doenças respiratórias. De acordo com o Ministério da Saúde, o cigarro está relacionado a cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão no Brasil.
Por isso, o enfrentamento ao tabagismo envolve uma atuação multidisciplinar. Áreas como Enfermagem, Biomedicina, Nutrição, Odontologia, Fisioterapia e Psicologia podem contribuir desde a prevenção e educação em saúde até o acompanhamento das consequências físicas e comportamentais da dependência.
Mais do que abandonar um hábito, parar de fumar pode envolver aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Os novos dados reforçam que a prevenção, a informação e o acesso ao tratamento continuam fundamentais para reduzir os impactos do tabaco na população brasileira.
Fonte: Ministério da Saúde, publicações de 28 e 29 de agosto de 2026.





