
Em um cenário cada vez mais dependente de soluções digitais, os trabalhadores da tecnologia nos países do Sul Global, como Brasil e Índia, estão na linha de frente da inovação, mas ainda enfrentam jornadas precárias e falta de reconhecimento internacional, revela um estudo apresentado nesta semana durante seminário promovido por universidades internacionais e organizações de pesquisa.
A pesquisa, intitulada “Tech Workers of the Majority World”, destacou que esses profissionais — muitas vezes atuando como terceirizados para grandes empresas de tecnologia do Norte Global — estão expostos a pressões por produtividade, jornadas estendidas e instabilidade contratual, mesmo desempenhando funções estratégicas em cadeias globais de desenvolvimento de software, manutenção de sistemas e suporte técnico.
“No Brasil, há uma crescente base de talentos que sustenta operações digitais globais, mas que permanece à margem das decisões corporativas e dos benefícios estruturais desses negócios”, destacou a pesquisadora Fernanda Bruno, uma das palestrantes do evento.
O estudo também aponta que, embora países como Brasil e Índia estejam investindo fortemente em formação tecnológica, os efeitos da desigualdade global ainda se refletem no cotidiano desses trabalhadores — que, apesar da qualificação técnica, muitas vezes operam em ambientes de alto estresse, com pouca autonomia e reconhecimento limitado.
O seminário propôs que empresas internacionais adotem práticas mais equitativas de gestão e remuneração, além de políticas que garantam direitos trabalhistas, proteção social e voz ativa desses profissionais nos processos decisórios. A discussão amplia o debate sobre os impactos humanos da globalização tecnológica e a urgência de um modelo mais justo e inclusivo no setor.
FONTE: maynoothuniversity.ie