
As principais empresas de tecnologia do mundo iniciam 2026 sob pressão de investidores e analistas, à medida que os custos crescentes com infraestrutura de inteligência artificial (IA) e os altos níveis de endividamento colocam em xeque a sustentabilidade das estratégias de crescimento agressivo adotadas por gigantes do setor.
O alerta foi aceso após a Oracle anunciar um plano de captação de até US$ 50 bilhões para ampliar sua atuação em IA e computação em nuvem, o que provocou queda nas ações da companhia e abriu espaço para discussões mais amplas sobre os riscos do endividamento acelerado no setor tecnológico.
Especialistas apontam que, apesar da promessa de retorno a longo prazo com IA generativa e serviços em nuvem, há uma corrida por investimentos bilionários sem garantias de lucratividade imediata. Empresas como Microsoft, Amazon, Google e Nvidia também vêm direcionando recursos vultosos para a construção de data centers, aquisição de chips avançados e desenvolvimento de plataformas de IA — muitas vezes à frente da capacidade de monetização desses ativos.
“O mercado está começando a questionar se essa aposta desenfreada está sendo feita com base em fundamentos sólidos ou em expectativas inflacionadas”, afirmou a analista de tecnologia Sarah O’Neil, do banco CitiTech.
Ao mesmo tempo, reguladores em diversas partes do mundo, incluindo Estados Unidos e União Europeia, pressionam por mais controle sobre o uso de dados, conteúdo gerado por IA e segurança digital, aumentando o custo operacional das companhias do setor.
O momento é considerado um ponto de inflexão para a indústria: ou os retornos com inteligência artificial começam a se consolidar em produtos e serviços rentáveis, ou os investidores poderão reduzir a exposição ao setor, impactando valorizações e liquidez de empresas de capital aberto.
Por enquanto, o setor tecnológico global segue dividido entre a euforia da inovação e a cautela dos mercados financeiros.
FONTE: investing.com