
A decisão do Banco Central do Brasil de lançar o Drex, sua moeda digital oficial, sem utilizar a tecnologia blockchain, tem provocado preocupação entre especialistas em inovação financeira e segurança digital. A medida, embora considerada pragmática pelo governo, pode comprometer a competitividade internacional do Brasil na corrida global pela digitalização das moedas nacionais.
Diferentemente de outras moedas digitais emitidas por bancos centrais (CBDCs), como o yuan digital da China e o euro digital em desenvolvimento, o Drex está sendo construído com uma arquitetura centralizada, sem os elementos de descentralização, rastreabilidade e imutabilidade característicos das redes blockchain.
Para críticos, o modelo adotado pelo Drex enfraquece o potencial de transparência, auditabilidade e segurança do sistema — pilares que são frequentemente apontados como vantagens-chave das CBDCs baseadas em blockchain. “O Brasil tinha a chance de se posicionar como referência em inovação financeira, mas optou por um caminho mais conservador e fechado”, afirma o analista André Vilela, da consultoria Future FinTech.
O Banco Central defende sua escolha alegando que o sistema utilizado garante eficiência operacional, controle estatal sobre a emissão e circulação, além de menor custo de implementação. Contudo, a ausência da blockchain pode limitar parcerias com fintechs globais e reduzir o interesse de investidores estrangeiros em projetos associados ao Drex.
Ainda assim, o BC sinaliza que poderá, no futuro, adotar camadas de tecnologia mais abertas conforme a maturidade do projeto. A moeda digital brasileira está atualmente em fase de testes com instituições financeiras e deve entrar em operação plena a partir de 2026.
O Brasil é um dos primeiros países da América Latina a avançar no desenvolvimento de uma moeda digital oficial. O desempenho do Drex nos próximos meses será observado de perto por economias emergentes que também avaliam projetos semelhantes.
FONTE: realtime1.com.br