
O uso de celulares no ambiente escolar voltou ao centro do debate educacional no Brasil e tem mobilizado gestores, professores, pais e especialistas em educação. A discussão ganhou ainda mais força após recomendações nacionais que orientam a restrição do uso de aparelhos móveis durante as atividades pedagógicas, salvo quando utilizados com finalidade educacional.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a medida busca reduzir distrações em sala de aula, melhorar a concentração dos alunos e fortalecer a convivência escolar. Estudos preliminares e relatos de redes de ensino que adotaram a restrição apontam avanços no foco dos estudantes e na interação entre colegas, além de redução de conflitos relacionados ao uso indevido de tecnologia.
Por outro lado, o tema também gera controvérsias. Especialistas em educação digital defendem que o celular pode ser um aliado pedagógico, desde que utilizado de forma orientada e responsável. Para esse grupo, o desafio não é proibir, mas ensinar o uso consciente da tecnologia, preparando os estudantes para a vida em uma sociedade cada vez mais conectada.
“O celular faz parte do cotidiano dos jovens. A escola precisa encontrar equilíbrio entre disciplina e inovação pedagógica”, avalia a pesquisadora em educação e tecnologia, Lucia Dellagnelo.
Diante das diferentes posições, o MEC anunciou que pretende avaliar os impactos da restrição por meio de pesquisas nacionais, com o objetivo de embasar futuras políticas públicas. A expectativa é que os dados ajudem a definir diretrizes mais claras sobre o papel da tecnologia no processo de ensino e aprendizagem.
Enquanto isso, estados e municípios seguem adotando regras próprias, adaptadas à realidade de cada rede de ensino, mantendo o tema como um dos principais debates da educação brasileira em 2026.