
Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas no acesso à educação básica, o Brasil ainda enfrenta desigualdades estruturais significativas que impactam diretamente a permanência e a conclusão do ensino médio, sobretudo entre jovens de baixa renda, negros, indígenas e moradores de áreas rurais.
Estudos recentes apontam que renda e cor/raça continuam sendo determinantes no percurso escolar dos estudantes brasileiros. Dados do IBGE e de organizações educacionais revelam que jovens de famílias mais pobres e de grupos historicamente marginalizados têm maior probabilidade de abandonar a escola antes da conclusão da educação básica, devido a fatores como trabalho precoce, falta de transporte, ausência de apoio pedagógico e evasão motivada por vulnerabilidades sociais.
Enquanto a taxa de escolarização bruta no ensino médio atinge mais de 90%, o índice de conclusão na idade correta (até os 19 anos) ainda está abaixo de 70%, revelando gargalos de aprendizagem e desafios na garantia de permanência escolar. A pandemia de Covid-19 agravou esse cenário, com aumento da evasão e dificuldades de aprendizagem entre estudantes das redes públicas.
Especialistas e entidades da área de educação defendem a urgência de políticas públicas mais integradas e focalizadas, que considerem o contexto de vida dos estudantes, aliem assistência social à escola e ampliem investimentos em educação integral, infraestrutura e formação de professores.
Programas de apoio, como bolsas permanência, transporte escolar e currículo mais flexível, são apontados como estratégias possíveis para reduzir as desigualdades e promover a equidade educacional, um dos compromissos centrais do Plano Nacional de Educação.
A superação desse cenário passa por um esforço conjunto entre governos, sociedade civil e instituições de ensino, com foco em garantir que todos os jovens brasileiros, independentemente de sua origem, tenham acesso, permanência e sucesso na trajetória educacional.
FONTE: agenciabrasil.ebc.com