
O sistema de ensino médico brasileiro enfrenta uma grave preocupação após os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes de Medicina (Enamed), divulgados nesta sexta-feira (2). Segundo o levantamento oficial, mais de 13 mil estudantes prestes a se formar não atingiram os conhecimentos mínimos exigidos, expondo fragilidades na qualidade da formação médica no país.
Aplicada pelo Ministério da Educação (MEC) a cerca de 90 mil alunos de 350 cursos de Medicina, a avaliação mostrou que um em cada quatro estudantes não foi aprovado. O dado mais alarmante, no entanto, recai sobre a performance das instituições: em cerca de um terço das faculdades, menos de 40% dos alunos atingiram o desempenho considerado satisfatório.
A maior parte das instituições com baixo desempenho está entre universidades privadas ou mantidas por municípios, o que reacende o debate sobre a proliferação de cursos de Medicina sem estrutura adequada. O MEC já sinalizou que instituições com resultados insatisfatórios poderão sofrer restrições para ampliar vagas ou até passar por intervenções na oferta de cursos, caso não adotem melhorias efetivas.
Especialistas em educação e saúde pública alertam para as consequências do quadro. “Estamos falando de futuros profissionais que atuarão no SUS e terão contato direto com a população. Formar médicos sem domínio básico coloca em risco a qualidade do atendimento”, afirmou a pesquisadora em políticas públicas educacionais, Maria Alice Ferraz.
O Enamed foi criado como parte da estratégia do MEC para monitorar e qualificar o ensino médico brasileiro, em resposta às demandas por mais transparência e critérios rigorosos na formação de profissionais da saúde. A expectativa é que, com os dados em mãos, o governo possa adotar medidas corretivas e elevar o padrão nacional de ensino médico.
A repercussão dos dados deve pautar debates no Congresso Nacional e nas associações de ensino superior ao longo das próximas semanas, com pressão crescente por regulação e avaliação contínua dos cursos da área de saúde.
FONTE: elpais.com