
O mercado financeiro brasileiro atualizou suas projeções econômicas para 2026 nesta semana, apontando para um cenário de crescimento moderado do Produto Interno Bruto (PIB) e uma trajetória de inflação mais próxima da meta estabelecida pelo Banco Central. A nova rodada de previsões reflete um ajuste nas expectativas diante de dados recentes de atividade econômica e das medidas de política monetária adotadas pelo governo federal e autoridades econômicas.
Segundo a última pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, analistas de instituições financeiras, consultorias e casas de investimento elevaram ligeiramente a estimativa de expansão do PIB para 2026, em relação à projeção de dezembro. A nova mediana indica um avanço econômico impulsionado principalmente pelo consumo das famílias, crescimento no setor de serviços e recuperação gradual dos investimentos privados.
Ao mesmo tempo, as expectativas para o índice de preços ao consumidor também foram ajustadas para baixo, sugerindo que a inflação deverá convergir mais rapidamente para o centro da meta no próximo ano — atualmente situada em 3,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Os economistas destacam que o comportamento favorável dos preços ao longo das últimas leituras e o controle sobre pressões inflacionárias alavancaram esse movimento de revisão.
Entretanto, o cenário ainda exige cautela. A estimativa para juros (Selic) permanece elevada no curto prazo, refletindo a necessidade de manutenção da política monetária restritiva para assegurar estabilidade de preços, segundo especialistas consultados. O setor produtivo, embora confiante em retomada, observa que fatores externos, como volatilidade de commodities e incertezas no comércio global, podem influenciar o desempenho da atividade econômica.
Representantes do mercado financeiro também ressaltaram o impacto das condições fiscais domésticas, com a necessidade de equilíbrio orçamentário nos estados e no governo federal como ponto de atenção para o crescimento sustentável. Neste contexto, a dinâmica do emprego, consumo e investimento será determinante para consolidar as projeções ao longo do ano.
A revisão das projeções ocorre em um momento em que o Brasil apresenta sinais de melhora gradual em indicadores econômicos, com destaque para a redução da inflação de alguns itens da cesta básica e o fortalecimento da confiança empresarial. Observadores do mercado consideram que, caso essas tendências se agravem positivamente, poderá haver espaço para um início de corte gradual da taxa de juros ainda em 2026, dependendo da evolução dos dados econômicos.
FONTE: infomoney.com.br