
O governo brasileiro indicou, nos últimos dias, uma postura mais flexível para avançar nas negociações comerciais entre o Mercosul e a China, movimento que pode redesenhar a estratégia de inserção internacional do bloco sul-americano e ampliar oportunidades de exportação para setores estratégicos da economia nacional.
A sinalização ocorre em meio a um cenário global de reorganização das cadeias produtivas, tensões geopolíticas e busca por novos mercados, fatores que têm pressionado países emergentes a diversificar parcerias comerciais. Representantes do governo defendem que uma aproximação com Pequim pode acelerar acordos setoriais, reduzir barreiras tarifárias e fortalecer a competitividade do agronegócio, da indústria de base e do setor mineral brasileiro.
A China já figura como principal parceiro comercial do Brasil, absorvendo grande parte das exportações de soja, milho, carne bovina, minério de ferro e petróleo. Um eventual acordo ampliado poderia diminuir custos logísticos, facilitar acesso a insumos e estimular investimentos chineses em infraestrutura e energia, áreas consideradas prioritárias para o crescimento econômico sustentável.
No entanto, a proposta também reacende debates dentro do Mercosul. Países do bloco discutem o ritmo e o modelo das negociações, avaliando se os avanços devem ocorrer de forma conjunta ou por meio de acordos mais flexíveis e bilaterais. Especialistas alertam que mudanças exigem equilíbrio diplomático para evitar assimetrias internas e preservar a integração regional.
Economistas avaliam que, caso as tratativas avancem, os impactos podem ser significativos:
Para o governo federal, a estratégia faz parte de uma agenda mais ampla de retomada do protagonismo do Brasil no comércio internacional, buscando reduzir dependência de poucos parceiros e ampliar o espaço do país nas rotas globais de investimento.
Nos bastidores, a expectativa é de que novas rodadas técnicas ocorram ainda neste semestre, com possibilidade de acordos preliminares em áreas específicas antes de um tratado mais abrangente. Enquanto isso, o mercado acompanha com atenção os desdobramentos, que podem influenciar câmbio, balança comercial e decisões de investimento nos próximos meses.
FONTE: reuters.com