
Em um movimento geopolítico com potencial de reconfigurar cadeias globais de suprimentos, Brasil e Estados Unidos avançam nas negociações de um acordo de cooperação para exploração e fornecimento de minerais estratégicos, como lítio, nióbio e terras raras — recursos considerados vitais para setores de alta tecnologia, energia limpa e defesa.
As tratativas, que envolvem representantes dos governos e da indústria dos dois países, visam fortalecer parcerias comerciais e tecnológicas em um contexto de crescente disputa internacional por insumos fundamentais à produção de baterias, semicondutores e equipamentos eletrônicos. A iniciativa surge como resposta à dependência global da China nesse segmento e posiciona o Brasil como provedor confiável de minerais críticos, dada sua vasta reserva e potencial de expansão sustentável.
Fontes ligadas ao Itamaraty e ao Departamento de Estado dos EUA indicam que o acordo deve prever investimentos bilaterais em infraestrutura mineral, transferência de tecnologia, incentivos à pesquisa e garantias ambientais, ampliando as possibilidades de agregação de valor à produção nacional.
Para especialistas, a parceria representa uma oportunidade histórica de impulsionar o setor mineral brasileiro para além do modelo extrativista, estimulando inovação, industrialização e geração de empregos qualificados. Ao mesmo tempo, o acordo pode alavancar a posição do Brasil como player estratégico na transição energética global.
Embora ainda em fase preliminar, a expectativa é de que o memorando de entendimento seja formalizado até o segundo semestre de 2026, integrando uma nova etapa de cooperação econômica e científica entre as duas maiores economias das Américas.
FONTE: ft.com