
O Banco Central do Brasil deve iniciar, a partir de março, um ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic), após um longo período de política monetária restritiva. A sinalização ocorre em meio a dados que apontam desaceleração da atividade econômica e maior controle inflacionário, abrindo espaço para uma mudança gradual na condução dos juros.
A Selic permanece em patamar elevado desde o esforço do Banco Central para conter a inflação, estratégia que ajudou a estabilizar os preços, mas que também impactou o ritmo de crescimento da economia. Indicadores recentes mostram consumo moderado, investimento produtivo contido e confiança empresarial ainda cautelosa, especialmente nos setores industrial e comercial.
Analistas avaliam que o início do corte de juros tem como objetivo estimular o crédito, incentivar investimentos e destravar o consumo, sobretudo em segmentos mais sensíveis ao custo do dinheiro, como construção civil, infraestrutura e bens duráveis. A expectativa do mercado é de que o processo seja gradual e cauteloso, evitando riscos de reativação inflacionária.
No mercado financeiro, a perspectiva de queda da Selic já provoca ajustes nas projeções econômicas, com melhora no humor dos investidores e valorização de ativos ligados à atividade doméstica. Ao mesmo tempo, o Banco Central segue atento ao cenário externo, marcado por incertezas geopolíticas e pela política monetária de países centrais, fatores que influenciam o câmbio e o fluxo de capitais.
Autoridades monetárias têm reiterado que qualquer decisão será baseada em dados, sem compromisso prévio com um ritmo fixo de cortes. O desafio, segundo especialistas, será equilibrar a necessidade de estímulo à economia com a preservação da credibilidade da política monetária.
Caso confirmado, o início do ciclo de redução dos juros em março marcará uma nova fase da política econômica, com foco na retomada gradual do crescimento, após um período dedicado ao controle inflacionário. O impacto pleno da medida, no entanto, dependerá também da evolução do cenário fiscal e da confiança dos agentes econômicos ao longo de 2026.
FONTE: reuters.com