
O mercado global de tecnologia vive um novo ciclo de ajustes estratégicos. Diante de tensões geopolíticas, escassez intermitente de semicondutores e aumento de custos logísticos, grandes fabricantes de eletrônicos iniciaram um reposicionamento de seus investimentos em chips e cadeias de suprimentos, redesenhando a rota de produção de computadores, notebooks e dispositivos móveis.
Empresas como HP, Dell Technologies, Acer e ASUS vêm revisando contratos com fornecedores tradicionais e avaliando novos fabricantes de semicondutores na Ásia, incluindo alternativas fora dos polos historicamente dominantes. O movimento é visto como uma tentativa de reduzir dependência excessiva de poucos mercados e evitar gargalos semelhantes aos observados durante a pandemia.
Nos bastidores, executivos do setor apontam que a cadeia global de chips — base de praticamente todos os equipamentos eletrônicos — tornou-se mais vulnerável a conflitos comerciais, sanções tecnológicas e restrições de exportação, especialmente envolvendo Estados Unidos e China. Como consequência, companhias passaram a diversificar fornecedores, aumentar estoques estratégicos e até considerar a regionalização de parte da produção.
Analistas de mercado explicam que o chamado reshoring — transferência de fábricas para regiões mais próximas do consumidor final — e o friend-shoring — priorização de países parceiros — ganharam força. A meta é encurtar prazos de entrega, reduzir riscos cambiais e garantir maior previsibilidade de abastecimento.
O impacto já começa a ser sentido nos custos de produção. Embora a diversificação aumente a segurança operacional, ela também pode elevar preços no curto prazo, refletindo em equipamentos mais caros para o consumidor final, especialmente em segmentos como notebooks corporativos, servidores e dispositivos de alto desempenho.
Ao mesmo tempo, governos têm ampliado incentivos para produção local de semicondutores. Países da América do Norte, Europa e Ásia anunciaram pacotes bilionários de estímulo à fabricação doméstica de chips, numa corrida estratégica por soberania tecnológica.
Para especialistas, o cenário indica uma mudança estrutural. “Não se trata apenas de eficiência logística, mas de segurança econômica e independência tecnológica”, avaliam consultores do setor. A tendência é que a indústria opere com múltiplos polos de produção, substituindo o antigo modelo centralizado.
O redesenho da cadeia de suprimentos marca uma nova fase para o setor tecnológico global: menos concentração, mais resiliência e decisões guiadas tanto por estratégia geopolítica quanto por inovação — um rearranjo que deve moldar o futuro da indústria de eletrônicos pelos próximos anos.
FONTE: reuters.com