
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia pode finalmente ser assinado ainda este mês. Fontes diplomáticas confirmaram que a cerimônia de assinatura está prevista para o próximo 12 de janeiro de 2026, mesmo diante da resistência de alguns países europeus, como a França.
O tratado prevê a eliminação de tarifas para a maior parte dos produtos comercializados entre os dois blocos, o que deve beneficiar diretamente exportadores brasileiros de alimentos, commodities e produtos industrializados, além de abrir o mercado sul-americano para empresas e tecnologias europeias.
O Brasil, maior economia do Mercosul, é um dos principais articuladores da retomada do diálogo político e técnico que levou à conclusão do texto. O acordo é considerado estratégico para a expansão da inserção internacional da indústria brasileira e para o fortalecimento das cadeias de valor transcontinentais.
No entanto, o pacto não é unanimidade. França e Irlanda manifestaram oposição ao avanço do texto sem garantias adicionais nas áreas de meio ambiente e proteção à agricultura familiar. Ainda assim, representantes da Comissão Europeia indicaram que o acordo será firmado “com ou sem apoio formal de todos os Estados-membros”, em um modelo de adesão progressiva.
Em Brasília, o governo brasileiro celebrou o avanço como um marco diplomático e econômico, reforçando que o tratado trará benefícios diretos à competitividade, à atração de investimentos estrangeiros e à geração de empregos. O Itamaraty destacou ainda que o Brasil se compromete com cláusulas ambientais robustas e alinhadas às metas de desenvolvimento sustentável.
Se efetivado, este será o maior acordo comercial já assinado pelos dois blocos, abrangendo um mercado de mais de 700 milhões de consumidores e respondendo por aproximadamente 20% do PIB mundial.
FONTE: lemonde.fr