
A inflação anual no Brasil apresentou nova desaceleração em dezembro de 2025, consolidando uma tendência de arrefecimento dos preços ao longo do segundo semestre e reforçando as expectativas do mercado para um possível corte na taxa básica de juros (Selic) ainda no primeiro trimestre de 2026.
De acordo com estimativa divulgada pela Reuters, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teria recuado de 4,46% em novembro para 4,30% ao fim de dezembro, ainda acima do centro da meta de inflação definida pelo Banco Central (3%), mas em trajetória de convergência.
O resultado reflete principalmente uma moderação no ritmo de alta dos alimentos e combustíveis, além do comportamento mais estável de preços administrados, como energia elétrica e transportes. A desaceleração ocorre apesar de pressões pontuais em produtos sazonais e serviços.
Analistas financeiros veem os dados como um sinal de que o Banco Central poderá iniciar o ciclo de redução da Selic já em março, caso o cenário de desinflação se mantenha. Atualmente, a taxa básica está em 10,75% ao ano, patamar que vem sendo criticado por setores produtivos por dificultar o crédito e o consumo.
“O comportamento da inflação dá margem para um ajuste gradual na política monetária, especialmente se o processo de desaceleração continuar nos primeiros meses de 2026”, afirmou a economista-chefe da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nos dias 18 e 19 de março, e o mercado já precifica uma possível queda de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, caso os próximos índices confirmem o cenário benigno.
O desempenho da inflação é um dos principais termômetros da economia brasileira neste início de ano e deve influenciar diretamente decisões de investimento, consumo e financiamento tanto para famílias quanto para empresas.
FONTE: reuters.com